Legenda: Ilustração da capa da publicação Experiências relacionadas à Vigilância em Saúde voltadas para a prevenção e o controle da Covid-19 nos Povos Indígenas
Créditos: UNODESIGN – Paulo Nery
Pandemia e Saúde Indígena: estratégias, lições e aprendizados na vigilância, prevenção e controle da COVID-19
Durante a pandemia de Covid-19, os povos indígenas enfrentaram diversos desafios devido às suas vulnerabilidades. No Brasil, problemas como infraestrutura de saúde inadequada e escassez de médicos, já existentes antes da pandemia, se intensificaram. Esses desafios foram agravados por problemas na coordenação federativa, pela desorganização dos órgãos responsáveis pela política de saúde pública indígena e pela divulgação questionável de dados.
O projeto Pandemia e saúde indígena: estratégias, lições e aprendizados na vigilância, prevenção e controle da COVID-19, foi desenvolvido entre 2020 e 2022, com o objetivo de avaliar as ações de vigilância, prevenção e controle da Covid-19 voltadas à população indígena nos distritos sanitários especiais indígenas, buscando compreender a efetividade dessas ações e promover a disseminação do conhecimento produzido a partir das experiências locais e boas práticas identificadas. Esse projeto foi desenvolvido no âmbito do Programa Inova Fiocruz/Encomendas Estratégicas/ Inova Covid-19/Geração de Conhecimento.
Como parte das atividades desse projeto foi realizada uma análise documental das recomendações existentes, modelização lógica dos planos de contingência dos DSEI, mapeamento e sistematização das estratégias adotadas, além de avaliação das ações implementadas em dois DSEI. Buscou-se ainda criar um panorama geral das iniciativas realizadas, identificando aquelas que se articularam em torno da promoção, prevenção, comunicação e vigilância com o intuito de aprimorar as respostas em saúde, para proteção das comunidades indígenas, frente a pandemia de Covid-19.
Este projeto investigou as estratégias, lições e aprendizados na vigilância, prevenção e controle da COVID-19 entre populações indígenas. Para isso, utilizamos uma abordagem multidisciplinar com uso de métodos mistos e triangulação de dados, incluindo:
(PDF) SAÚDE INDÍGENA E REDE DE ATORES: UM OLHAR A PARTIR DOS DISTRITOS SANITÁRIOS ESPECIAIS INDÍGENAS NO BRASIL. Available from: [accessed Oct 01 2025].
Stakeholders são todas as pessoas, grupos ou instituições que podem influenciar ou ser impactados por uma pesquisa. No contexto de estudos sobre saúde indígena e a pandemia de covid-19, os stakeholders incluem:
Ao envolver stakeholders por meio de entrevistas virtuais e presenciais, a pesquisa busca compreender tanto os efeitos da disseminação da covid-19 entre os povos indígenas quanto avaliar as ações de prevenção, vigilância e comunicação adotadas durante a pandemia.
Importância: A participação dos stakeholders permite que os resultados sejam mais contextualizados, aplicáveis e legítimos, fortalecendo o diálogo entre conhecimento científico e práticas em saúde nos territórios indígenas.
Construção de dois estudos de caso: DSEI Pernambuco e DSEI Xavante
(Eu gostei desse tópico, mas ele só aborda uma parte da pesquisa, relativa aos dois estudos de caso. Talvez seja melhor destacar isso no título, pq o texto não abrange o “como” de todas as etapas. Não fala sobre como organizamos a Mostra de experiências, não aborda como fizemos a análise do movimento indígena nas redes sociais….
Com a finalidade de avaliar a resposta governamental no enfrentamento à pandemia de Covid-19, foram realizados dois estudos de caso, considerando a coordenação (gestão e planejamento) dos DSEI Pernambuco e DSEI Xavante. Com vistas a compreender sua racionalidade operacional durante a pandemia, foram elaborados modelos lógicos, buscando descrever a cadeia de eventos entre as ações planejadas e os resultados esperados e seu contexto de implantação à luz dos pressupostos da vigilância em saúde.
O processo iniciou-se com uma análise documental de portarias, planos de contingência e registros oficiais relacionados às ações de controle e prevenção da pandemia. Com esses dados, construímos fluxogramas que ilustram a racionalidade operacional das respostas, priorizando o nível de emergência em saúde pública, uma vez que os níveis de alerta inicial foram rapidamente superados devido à evolução epidemiológica.
Em seguida, realizamos validações desses modelos junto às equipes técnicas e coordenadores responsáveis pelos planos de contingência, por meio de rodas de conversa online em cada DSEI. Essas discussões permitiram ajustar e validar as estratégias propostas, considerando as realidades locais.
Para compreender os fatores que influenciaram a implementação dessas ações, utilizamos a matriz SWOT (Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças). Essa ferramenta foi aplicada durante as oficinas, ajudando a identificar as limitações internas e as oportunidades externas que impactam o sucesso das estratégias de enfrentamento.
Foi realizado o mapeamento da rede sociotécnica dos coordenadores dos dois distritos no processo de organização, planejamento e gestão da pandemia, identificando atores acionados e actantes na integração dessa rede. Uma matriz com a definição teórico conceitual foi elaborada com dimensões e categorias da vigilância em saúde com vistas a permitir uma compreensão aprofundada das ações de vigilância e controle da COVID-19 desenvolvidas em territórios indígenas, a fim de promover o aprimoramento das políticas públicas e a troca de boas práticas entre diferentes contextos.
Marly Marques da Cruz – Coordenação Técnica
Angela Oliveira Casanova – Coordenação Executiva
Ana Cristina Gonçalves Reis
Bruno Camilo Neves
Bruno Tserebutuwe Tserenhimi´Rãmi
Claudeci Barbosa da Silva
Helen Ribeiro Dorneles Nack Melzer
Jane Batista Viana Leite
Kesia Priscila Boss Cordeiro
Lilian Brito Lopes
Lorena Martins Passos
Lucio Paiva Flores
Maial Paiakan Kaiapo
Maria Aparecida Silva
Maria de Nasare Duarte Angeli
Maria Luiza Silva Cunha
Philippe Lopes Ribeiro Reis
Ricardo Menezes Xavier
Sandra Adrianna Borges Lessa Silva
Taise Finazzi Vilela
Confira as fotos das atividades realizadas durante a pesquisa